Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado.
Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio sem que nenhum dos dois se incomode com isso.
Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada e bonita a seu modo.
Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa.
Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem corpo um do outro quando o cobertor cair.
Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro ao médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois.
Eu me perdia quando esperava demais das pessoas, eu me perdia quando me entregava por inteiro, me perdia quando deixava de ser minha e passava a ser de qualquer outro alguém que jamais teria o mesmo cuidado que eu tinha comigo mesma, ou o que eu deveria ter. Eu me perdia quando eu decidia encurtar o caminho, eu me perdia quando eu não escutava conselhos, eu me perdia quando eu deixava todo mundo dizer pra que caminho eu deveria ir. Se é que eu deveria ir. Eu me perdia quando eu queria voar, acabava me atirando dos lugares mais altos e encontrando o chão. Me perdia quando eu desistia de pensar, desistia de sentir, eu me perdia em qualquer vírgula a mais, em qualquer comentário desnecessário, eu me perdia em qualquer coisa que mudasse de alguma forma o jeito exato que as coisas deveriam ser. E então apareceu você, e desse jeito mais clichê, bagunçou tudo. Trocou todas as vírgulas, todos os cômodos do meu coração, todos os objetos, mudou tudo o que já tava no lugar. Mas eu gostei da mudança, e gostei mais ainda de quem mudou, eu me adaptei a tudo, e pela primeira vez deixei de me perder. Pela primeira vez eu me encontrei, em ti, contigo, em nós, sem nós. Eu me encontrei.
Escreva sobre você aqui. O que gosta, o que não gosta. O que faz da vida. Suas qualidades, seus defeitos. Fale bastante sobre você! Pode usar o negrito, itálico, sublinhado ou riscado. Seja feliz!
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